Enquanto as faculdades de psicologia e cursos de aprimoramento preparam os psicólogos para compreender e ajudar a pessoas em seus desafios emocionais e mentais, muitos desses profissionais são lançados em uma selva onde precificar seus serviços é quase como navegar sem bússola.
A dura realidade é que, embora habilidosos em entender a mente humana, muitos psicólogos estão perdidos quando se trata do valor seu próprio trabalho. Na prática a grande maioria trabalha demais para pouco retorno financeiro, e muitos acreditam estar fazendo do jeito certo quando na verdade estão errando sem perceber quando se trata da definição de preço referente a sua hora de trabalho. E porque isso acontece?
Justamente porque são experts em transformar a vida de seus clientes, mas não em como mostrar o valor de seu trabalho e em como lidar com dinheiro na prática clínica.
Mas, você não é o culpado aqui!
De fato a faculdade e os cursos te ensinaram a transformar vidas, mas não ensinaram como mostrar o valor do seu trabalho. O que eu vejo muito nos meus programas de mentorias são casos como o da Isabela e da Renata:
A Isabela é uma psicóloga talentosa e dedicada. Quando iniciou sua prática terapêutica, tinha medo de não conseguir atrair e reter pacientes. Então, toda vez que alguém a procurava e demonstrava hesitação em relação ao seu preço durante a primeira consulta, ela rapidamente aceitava dar descontos, temendo perder o cliente. Ela dizia: “Fabi, mas se não fizer isso eu perco o cliente. E se perder o cliente aí sim que fico sem ter faturamento”. O que ela não sabia era que essa forma de pensar a levou a não saber como precificar e mostrar o valor do seu trabalho, e não o preço. E essa forma de agir a acompanhou por mais de 7 anos de profissão, algo que era para ser paliativo se tornou o processo.
Já a Renata, visando garantir uma fonte constante de pacientes, fechou parcerias com diversos convênios. Inicialmente, tudo parecia promissor: sua agenda estava repleta e ela sentia que estava fazendo a diferença na vida de muitos pacientes. No entanto, à medida que o tempo passava, Renata se viu imersa em uma rotina avassaladora de mais de 80 atendimentos semanais de trinta minutos, rendendo um faturamento de apenas R$2500,00. Pare um minuto e pense: com essa demanda, ela mal conseguia pausas para necessidades básicas, como ir ao banheiro. O tempo com a família, que ela tanto valorizava, tornou-se escasso. A exaustão, tanto física quanto emocional, era evidente. E o pior: sua agenda saturada não lhe permitia atender pacientes particulares, o que poderia lhe garantir uma remuneração mais justa pelo seu expertise e dedicação.
Esses são dois exemplos clássicos que com o tempo levam os psicólogos a: aceitar negociar e baixar seus preços, acomodar-se a valores sociais e buscar parcerias com convênios que não valoriza a sua hora ou clínicas que retiram uma fatia significativa (15% a 50%) de seu faturamento.
No entanto, há uma verdade inquestionável: não saber precificar corretamente seus serviços pode desvalorizar seu trabalho, te obrigando a trabalhar mais horas e te impedindo de proporcionar um atendimento excepcional que verdadeiramente encanta e transforma a vida de seus pacientes. Além disso, essa desvalorização profissional faz com que os próprios clientes não reconheçam o real valor de seu serviço.
Para alterar essa realidade se torna necessário saber exatamente como cobrar o preço justo pela sua hora. Mais do que isso, como fazer para que o paciente veja valor e não o preço e assim não dar descontos ou baixar o seu preço. Esse processo leva a: maior satisfação no trabalho e capacidade de oferecer atendimentos de qualidade, a evitar descontos desnecessários, maior reconhecimento do valor real dos serviços pelo cliente, maior liberdade para focar em clientes particulares, maior valorização profissional e pessoal e mais tempo para a vida pessoal e familiar com menos exaustão física e emocional devido a sobrecarga de trabalho.